Entre armadilhas silenciosas e monitoramento em tempo real, a mais recente campanha de captura de felinos no Parque Nacional do Iguaçu terminou sem o registro esperado de onças-pintadas, mas longe de ser considerada um fracasso. Pelo contrário: os dados coletados ao longo de 13 dias de trabalho de campo são considerados essenciais para o avanço das estratégias de conservação da espécie.
Realizada entre os dias 12 e 20 de março pelo Projeto Onças do Iguaçu, a operação instalou 15 armadilhas, entre gaiolas e laços, em pontos estratégicos da unidade de conservação. Equipadas com transmissores, as estruturas permitiram acompanhamento remoto em tempo real, aliado a vistorias frequentes, prática fundamental para garantir a segurança dos animais.
Ao todo, o esforço somou 1.331,45 horas de armadilhas abertas, o equivalente a 55,48 armadilhas por noite, índice utilizado em estudos científicos para mensurar o empenho em ações desse tipo. Apesar de nenhuma onça-pintada ter sido capturada, uma jaguatirica (Leopardus pardalis) foi registrada e passou por avaliação veterinária.
Foco em fêmea com filhotes
Um dos principais alvos da campanha foi a fêmea conhecida como Cacira, atualmente acompanhada por estar com filhotes (AQUI para relembrar registro dela). A captura permitiria identificar a localização da toca — informação estratégica para ações de proteção.
Mesmo sem sucesso nessa etapa, a equipe segue monitorando a onça por meio de armadilhas fotográficas. Segundo a coordenadora executiva do projeto, Yara Barros, o resultado não compromete os objetivos da iniciativa.
“O esforço de campo gera dados importantes sobre o uso da paisagem pelos animais e permite ajustar continuamente as estratégias de monitoramento”, destacou.
Tecnologia e prevenção de conflitos
Quando ocorre a captura de uma onça-pintada, o protocolo inclui exames clínicos, coleta de material biológico e a instalação de colares com tecnologia GPS. Esses dispositivos permitem acompanhar os deslocamentos em tempo real, revelando padrões de comportamento, circulação entre Brasil e Argentina e possíveis aproximações de áreas habitadas.
As informações são usadas tanto para orientar políticas de conservação quanto para prevenir conflitos entre humanos e animais, possibilitando respostas rápidas em situações de risco.
Apoio e cooperação internacional
A campanha contou com o apoio da concessionária Urbia Cataratas, responsável pelo fechamento temporário de trilhas nas áreas monitoradas, e do Hotel das Cataratas, A Belmond Hotel, que ofereceu suporte logístico à equipe.
A ação também reforçou a integração regional, com a participação do veterinário Sebastian Costa, do Proyecto Yaguareté, evidenciando a importância da cooperação trinacional para a preservação da espécie.
Conservação como missão contínua
Desenvolvido pelo ICMBio em parceria com o Instituto Pró-Carnívoros e o CENAP, o projeto tem como missão garantir a sobrevivência da onça-pintada como espécie-chave da biodiversidade local. A iniciativa busca equilibrar a convivência entre fauna, visitantes e comunidades, tendo como horizonte um cenário em que todos prosperem juntos.
Mesmo sem capturas nesta fase, o recado dos pesquisadores é claro: na conservação, cada dado conta, e cada passo em campo aproxima a ciência de soluções mais eficazes para proteger um dos maiores símbolos da fauna brasileira.
Foto Fernando Faciole
Assessoria












